Mostrando postagens com marcador Brasileirão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasileirão. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de abril de 2011

A zebra da loteria esportiva

Em 1981, um resultado inacreditável derrubou as apostas da loteria esportiva no Brasil inteiro. A zebra foi tão impressionante que deve ter surpreendido até a zebrinha do Fantástico, que anunciava os 13 resultados da loteria esportiva no programa Global, entre os anos 70 e 80. Esse é o tipo do jogo que nem o próprio torcedor do Brasília teria coragem de apostar em uma vitória do colorado candango.



Para entender melhor essa zebra que entrou pra história, devemos compreender a situação das duas equipes naquele grupo B da Taça de Ouro da Copa Brasil - equivalente a uma das fases do Brasileirão de 1981. Parecia que o Grêmio venceria com enorme facilidade, pois fazia 14 jogos que o tricolor, atual campeão gaúcho, não perdia no Olímpico. O Brasília, que tinha no uniforme as cores do rival gremista, chegou com uma campanha ruim e sem nenhuma expressão nacional, tendo apenas seis anos de existência. Além disso não tinha campo para treinar, os salários eram baixos e a infra-estrutura da equipe era precária.

Logo aos 40 segundos de partida, Tarcísio abriu o placar para os gaúchos. E devido ao domínio dos gremistas ninguém imaginava nada diferente de uma goleada dos gaúchos. A classificação gremista estava praticamente garantida, enquanto para o Brasília isso só aconteceria se a equipe do planalto central vencesse o Grêmio e o Goiás. Nem a própria torcida esperava isso, depois das várias derrotas na competição e do fato do time chegar desfalcado para o confronto em Porto Alegre.

Mesmo assim, com tudo e todos contra, em 3 minutos os atletas do Brasília fizeram um estrago inimaginnavel. No despretencioso chutão de Aluísio, aos 23, que surpreendeu Leão, começou o pesadelo gremista. Aos 25 Vander concretizou a virada absurda até então. O Grêmio ainda empatou o jogo aos 39, com um gol irregular de Dirceu, completamente impedido. Para os que acharam que a camisa do Grêmio pesaria na decisão do juiz, a atitude precisa do árbitro Iolandro Rodrigues ao anular o gol, foi o justo e derradeiro ponto final desse surpreende episódio do futebol brasileiro.



Essa vitória por 2x1 foi o maior feito da história do Brasília E. C. que quatro dias depois perdeu de 1x0 para o Goiás e foi eliminado do Brasileirão daquele ano. Essa vitória totalmente fora de órbita não atrapalhou o Grêmio, que seguiu em frente e foi campeão nacional de 1981. A proporção daquele espisódio pode ser melhor compreendida quando se vê as matérias do Correio Brasiliense sobre a partida.

O Brasília com o passar dos anos caiu no ostracismo e mergulhou numa crise administrativa, que nem o fato de ter se tornado o clube-empresa privado do Brasil, conseguiu amenisar. Maus resultados, prejuízos e dívidas levaram o time a interromper as atividades profissionais em 2005. Um ano depois o time ressurgiu das cinzas e com seis anos de luta saiu da terceira divisão do DF para a primeira divisão, sendo premiado com o vice campeonato estadual de 2009 e uma participação na série D do Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil.

A vitória que não valeu muita coisa para o Brasília no campeonato daquele ano, tornou-se inesquecível para sua torcida e para todos aqueles que marcaram coluna um naquele fatídico jogo da loteria esportiva.

FOTOS: globoesporte.com

Grêmio 1 x 2 Brasília
Grêmio: Leão, Dirceu, De Leon, Vantuir, Uchôa; China, Renato Sá (Vilson Tadei), Paulo Isidoro; Baltazar (Heber), Odair e Tarciso. Técnico: Ênio Andrade.
Brasília: Deo, Luisinho, Foca, Mario, Zé Mario (Ricardo); Alencar, Marco Antônio, Vander; Afonso, Aluísio (Paulinho) e Willian. Técnico: Alaor Capela.
Gols: Tarcísio aos 40seg; Aluísio aos 23 e Vander aos 25 do 2º tempo
Cartões amarelos: Deo (Brasília).
Estádio: Olímpico de Porto Alegre (RS).
Data: 15/02/1981.
Árbitro: Iolando Rodrigues (SC)

sábado, 22 de agosto de 2009

Ainda bem que quase ninguém lembra disso

Esse é um dos grande vexames que o Cruzeiro proporcionou na sua história recente. Eu não tinha nada que ficar lembrando, mas como resolvi falar de zebras, essa não podia ficar de fora.

Aconteceu no dia 17 de Agosto de 1997, no Mineirão. O Cruzeiro que recentemente havia conquistado a Taça Libertadores, estava com a cabeça no Mundial Interclubes e se esqueceu do Brasileirão, onde fez uma campanha ridícula. Conquistou apenas seis vitórias ficando à frente apenas de Bragantino, Guarani, Bahia, Criciúma, Fluminense e do lanterna, União São João de Araras. A propósito, esse lanterna foi o responsável pelo vexame de que trato neste post.
O fraquíssimo União São João de Araras só conseguiu vencer duas partidas na competição, sendo que uma delas foi justamente contra o Cruzeiro, campeão continental, dentro do Mineirão, numa noite em que nem o mais otimista de Araras apostaria numa vitória do União.
Àquela altura da competição o União só havia conquistado uma vitória e o Cruzeiro que fazia uma campanha ruim, ainda comemorando o recente título continental, via nesse jogo uma chance de recuperação na tabela. Essa recuperação era apoiada na empolgação da rodada anterior, quando o timr celeste havia goleado o Paraná por 4x0 no MIneirão. O time de Araras vinha se uma surra por 6x0 para o Vasco (leia-se Edmundo).

Quando o jogo começou na noite daquela quarta-feira os poucos corajosos que foram aos estádio viram um Cruzeiro apático, que não demonstrava vontade alguma de jogar, como se esperassem que a vitória chegasse a qualquer momento. O time de Araras visivelmente interessado em se defender, acabou por gostar do jogo e partir para o ataque. Numas dessas saidas esporádicas o time do União achou seu gol, com o meia Lisandro. Inoperante, o time do Cruzeiro não conseguiu reagir e mesmo com as substituições do técnico Nelsinho Batista o time não melhorou.
O apito final do árbitro deu fim a um jogo feio, onde a zebra de Araras, comandada por Geninho, se fez presente.
Aquele time, que foi campeão da Libertadores terminaria o campeonato a apenas 3 pontos da zona de rebaixamento, numa ridícula vigésima colocação. O time do União não venceu mais ninguém e terminou na lanterna.
As justificativas da péssima campanha eram que o time estaria focado no Mundial, título que não veio. Se não fosse a Libertadores o ano estaria perdido.
Esse jogo pífio felizmente passa longe da memória da maioria dos torcedores.

FOTO: www.dape.com.br/araras/images
www.cruzeiro.com.br (as duas fotos não são referentes ao dia da partida)

CRUZEIRO 0 x 1 UNIÃO SÃO JOÃO
Cruzeiro: Dida, Vítor(Marcos Teixeira), Gelson Baresi, Wilson Gottardo e Nonato; Fabinho, Donizete Oliveira (Donizete Amorim), Cleisson e Elivélton; Marcelo Ramos e Da Silva (Alex Mineiro). Técnico: Nelsinho Batista.
União São João: Adnam, Ivonaldo, Maxsandro, Augusto e Léo; Ricardo Lima (Valdo), Keler, Odair e Lisandro; Itamar (Márcio Neri) e Fabinho Fontes (Leonardo Oliveira). Técnico: Geninho
Gol: Lisandro.
Cartões amarelos:
Estádio: Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Data: 17/09/1997.
Árbitro: Jamir Cássios Garces
Auxiliares:
Público: 3.839 pagantes.

sábado, 25 de julho de 2009

O Mosca na sopa do Botafogo

O Brasileirão de 1984 (ou Copa União, se preferirem), propiciou algumas situações inusitadas. Parte delas referentes ao seu regulamento, que era recheado de fases e repescagens. O critério para participação era a classificação nos Estaduais do ano anterior. Para evitar a ausência dos grandes e não precisar convidá-los posteriormente, a CBF reservou duas vagas para clubes de tradição que não conquistassem a vaga diretamente. Isso foi providencial para o Vasco (sétimo no Carioca) e Grêmio (terceiro no Gaúcho). O primeiro colocado na fase inicial da Série B entraria na disputa da série A. Uma bela bagunça, que teve cinco fases, incluindo uma repescagem.

Alheio a isso o time do Botafogo entrou na disputa pensando no título, apesar de não ter feito uma boa campanha no campeonato carioca do ano anterior, onde terminou em quinto. Porém tinha uma equipe competitiva.
Na primeira fase se classificou em segundo no seu grupo, atrás do Santa Cruz de Recife. O grupo ainda contava com a Portuguesa, que se classificou em 3º lugar e os eliminados Auto Esporte, do Piauí, e Moto Club, do Maranhão. Esse mesmo Moto Club venceu o Fogão no Maracanã, no dia 22 de fevereiro, com gol de Cândido. Mas calma essa ainda não é a zebra de que tratarei. Coisa pior estava por vir.
Na segunda fase o Botafogo entrou como favorito, junto com o América do Rio, num grupo que tinha ainda Coritiba e Operário do Mato Grosso. Nas duas primeiras rodadas, um empate com o Operário, em Cuiabá, e uma vitória sobre o Coritiba, no Maracanã, mantiveram tudo no seu devido lugar. Porém, o Botafogo se complicou empatando os dois jogos seguintes, contra América e Coritiba. Mas mesmo assim precisava de uma vitória em um dos dois jogos que faltavam para se classificar. E não é que o Botadogo perdeu para o América e deixou tudo para a última rodada?
Ainda assim, estava tudo sobre controle. Era só vencer o modesto Operário/MT, que ainda não tinha vencido ninguém na segunda fase. Mas havia uma mosca na sopa do time da estrela solitária. Ou melhor um mosca.
No último jogo, realizado em São Januário (daí, já se nota que tudo começou errado. Botafogo jogando com seu mando de campo em São Januário não poderia ser um bom presságio), o Operário venceu por um a zero, com um gol do Mosca. Nenhum dos pouco mais de seis mil corajosos botafoguenses que compareceram ao jogo acreditaram no vexame do seu time. O resultado eliminou surpreendentemente o Botafogo e, de quebra deixou a equipe carioca em último lugar no grupo.
O Mosca acabou propiciando uma zebra do tamanho de um elefante.

Foto: reliquiasdofutebol.blogspot.com

BOTAFOGO 0 x 1 OPERÁRIO/MT
Botafogo: Paulo Sérgio; Josimar, Caxias, Cristiano e Paulo Roberto; Demétrio, Nininho (Cláudio) e Berg; Djalma Baia, Claudio Adão e Té. Técnico: Didi
Operário/MT: Mão de Onça; Alcir, Laércio, Agnaldo e Jorge Macedo; Ivanildo, Claudio Barbosa e Dito Serqueira; Zé Dias, Luisão e Mosca. Técnico: Nivaldo Santana
Gol: Mosca.
Cartões amarelos: Paulo Roberto, Josimar (Botafogo); Mosca, Zé Dias e Agnaldo (Operário/MT).
Estádio: São Januário, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 01/04/1984.
Árbitro:
Auxiliares:
Público: 6.094 pagantes.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O milésimo jogo de Pelé pelo Santos

Jogos festivos são campos propícios para a aparição de zebras. Parece que o ambiente de comemoração de resultados ou marcas importantes atrai resultados inesperados. Fato semelhante se deu no ano de 1972, em Fortaleza, quando um certo Rei comemorava mais uma das grandes marcas de sua vitoriosa carreira.
O jogo entre Santos e Ceará, em Fortaleza, marcaria o milésimo jogo de Pelé com a camisa do Santos. Uma marca e tanto, principalmente para o Rei, que era além de tudo uma bandeira do time do Santos. E além da comemoração da marca, o jogo era válido pela primeira fase do Campeonato Brasileiro daquele ano. O dia 03 de Novembro estava marcado para ficar na história e o resultado esperado era mais uma vitória do time santista.

Apesar de não possuir o mesmo esquadrão da década de 60, o santos, comandando pelo técnico Pepe, apresentava uma equipe muito superior a do Ceará. E ninguém duvidava que Pelé fazia a diferença. Como fez no primeiro tempo.
O Santos impôs seu jogo no início da partida, mas o Ceará logo equilibrou ações, aproveitando-se do apoio do torcedor. Pelé abriu o placar para o Santos, com muitas festa por parte dos jogadores e até mesmo da torcida do Ceará. O primeiro tempo terminou no 1x0 para o time da Vila Belmiro.
Mas o segundo tempo foi diferente. O time do Ceará voltou a campo disposto a virar o placar. E conseguiu. Com gols de Samuel, aos 13, e Da Costa, de cabeça, aos 30, o Vozão (como é conhecido o Ceará) virou a partida e surpreendentemente venceu o Santos.

Como de costume, existe sempre uma história sobre a partida, que, como não pode ser comprovada com fidelidade, acaba ficando para o folclore do futebol. Neste jogo, O autor do gol da virada, Da Costa, teria sido beneficiado por uma aposta entre torcedores. Um cearense, de nome Paulino Rocha, teria apostado com um torcedor rival, de nome Rolim, que o gol da vitória seria do Da Costa. Caso isso acontecesse, o perdedor pagaria o valor integral da aposta ao jogador do Ceará.
Bom, se foi assim que aconteceu, Da Costa pode ter ganhado uma boa grana, enquanto o futebol brasileiro ganhou uma boa zebra, num dia em que o estádio Presidente Vargas presenciou uma bela partida.

Fotos: cearaumapaixao.blogspot.com (Ceará)
www.museudosesportes.com.br (Santos)

CEARÁ 2 x 1 SANTOS
Ceará: Hélio, Paulo Tavares, Odélio, Mauro Calixto e Dimas; Edmar, Joãozinho, Nádio e Jorge Costa; Da Costa e Samuel. Técnico: Ivonísio Mosca.
Santos: Joel Mendes, Turcão, Altivo, Paulo e Murias (Vicente); Léo Oliveira, Roberto Carlos, Pitico e Afonsinho (Edu); Ferreira, e Pelé. Técnico: Pepe.
Gols: Pelé, aos do 1º tempo; Samuel, aos 17 , e Da Costa aos 30 do 2º tempo.
Estádio: Presidente Vargas, em Fortaleza (CE)
Data: 03/11/1972.
Árbitro:
Auxiliares:
Público: 35.752 pagantes