sexta-feira, 11 de setembro de 2009

2004: O ANO DA ZEBRA NO HORÓSCOPO FUTEBOLÍSTICO - Até que enfim o Azulão.


Uma final atípica, inesperada, e que apontou um campeão inédito. Antes disso é importante lembrar que no ano da zebra não se poderia esperar outra coisa no Paulistão. Talvez um grande sendo goleado por um time do interior na decisão, mas creio que a “final caipira” ficou de bom tamanho. A zebra não se faz apenas pelo título do azulão, mas sim, por uma conjuntura de fatores que veremos a seguir.

Para começo de conversa o Paulistão 2004 começou com uma cara meio torta, com 21 times divididos em 2 grupos, um de 10 e um 11. As equipes se enfrentariam dentro desses grupos em turno único e os quatro melhores de cada iriam a fase seguinte de mata-mata. O pior de cada grupo cairia. A torcida entrou em briga direta com a Federal Paulista por cobrar 20 reais pelos ingressos e por só ter colocado dois clássicos na primeira fase, sendo Santos x Palmeiras e São Paulo x Corinthians. Esse regulamento propiciou algumas aberrações ao fim da primeira fase. A Portuguesa Santista que se classificou em segundo do grupo A com 15 pontos, fez menos pontos que o 6º colocado do grupo B, o Marília, que não se classificou. O União São João de Araras (do fatídico post anterior) somou apenas um ponto em 10 partidas e não caiu. Tudo porque a Federação Paulista tirou 12 dos 10 pontos conquistados pelo Oeste, sob a acusação de utilização de jogador irregular. Isso mesmo, o Oeste foi lanterna do grupo B com -2 pontos. E no outro grupo o lanterna e rebaixado Juventus, somou 6 pontos. Com essa pontuação ele terminaria em 9º no grupo B, longe do rebaixamento. Curiosamente, no grupo A, o Juventus só caiu porque o São Paulo o derrotou por 2x1 de virada na última rodada, sendo que se o Juventus tivesse vencido antes favorito Corinthians teria sido rebaixado em seu lugar. O autor dos dois gols do jogo, Grafiti, até hoje é xingado por alguns torcedores do tricolor por ter salvo o rival.
Mais voltando ao importante, a zebra, chegamos as quartas de final, onde tudo seria resolvido em uma partida. O Santos eliminou o União Barbarense, o Palmeiras passou pela Portuguesa Santista, o Paulista eliminou surpreendentemente a Ponte Preta numa emocionante disputa de pênaltis e o São Caetano venceu o São Paulo, naquela que foi a única derrota do tricolor na competição, mas rendeu-lhe a eliminação precoce.
Na semi-final não foi diferente. O São Caetano empatou com Santos em 3x3 na Vila Belmiro, num jogaço, vencendo depois no Anacleto Campanela por 4x0. Na outra semi-final duas partidas memoráveis entre Palmeiras e Paulista, 1x1 no Parque Antártica e 3x3 em Araras (o jogo não pode ser realizado em Jundiaí). Nas duas partidas o Palmeiras de Vagner Love foi extremamente superior dominando o jogo mas esbarrando nas espetaculares defesas do goleiro Márcio. Na disputa de pênaltis o Paulista conseguiu uma vitória heróica por 4x3, levando a zebra de Jundiaí para a decisão.

O São Caetano treinado pela então revelação Murici Ramalho e o Paulista, do também novato técnico Zetti, chegavam a primeira decisão do Paulistão da história das duas equipes. Numa das aberrações da Federação Paulista, as duas partidas foram marcadas para o Pacaembu, pois os estádios de São Caetano e Jundiaí tinham capacidades inferiores a 30 mil torcedores.
Na primeira partida, com público pífio de pouco mais de 10 mil pagantes, o São Caetano venceu de virada por 3x1, com o mando de campo do Paulista, levando uma enorme vantagem para a segunda partida.

Como ninguém espera o São Caetano na final se esqueceram de que o time disputava a Libertadores e entre as duas partidas da final, o Azulão teve um jogo contra o The Strongest, na Bolívia, ao qual venceu por 2x0. Sem se preocupar em poupar jogadores, o time de Murici chegou para a segunda partida completo e pronto para jogar nos contra-ataques. O Paulista, melhor ataque da competição foi com tudo para cima do São Caetano, levando perigo ao gol de Silvio Luis. Entretanto, o Azulão, bem postado na defesa e melhor organizado em campo abriu o placar com Marcinho, aos 20 do primeiro tempo e segurou o placar até o intervalo. No segundo tempo, precisando de três gols, o Paulista se lançou ao ataque e acabou levando o segundo, marcado por Mineiro. Finalmente o Azulão deixou pra trás a estigma de vice e conquistou seu primeiro título paulista. Particularmente, penso que o Paulista que apareceu para o Brasil naquele campeonato, foi mais zebra que o São Caetano, mas para um campeonato onde Palmeiras, Santos e São Paulo eram favoritos disparados, uma final caipira foi uma zebra e tanto. E desde aquela época Murici já dizia: “cuidado, que a bola pune”.

Fotos: www.futebolnews.com
uol esportes

São Caetano 2 x 0 Paulista
São Caetano: Sílvio Luís, Ânderson Lima, Dininho, Serginho e Triguinho; Marcelo Mattos, Mineiro, Gilberto e Marcinho (Lúcio Flávio); Euller (Warley) e Fabrício Carvalho (Fábio Santos). Técnico: Murici Ramalho.
Paulista: Márcio, Lucas, Asprilla, Danilo e Galego; Umberto, Alemão, Canindé e Aílton (Fábio Melo); Izaías e João Paulo (Davi). Técnico: Zetti.
Gols: Marcinho, aos 20 do 1º; e Mineiro, aos 43 do 2º tempo
Cartões amarelos: Ânderson Lima e Serginho (São Caetano) e Alemão (Paulista)
Estádio: Pacaembu, em São Paulo(SP).
Data: 18/04/2004.
Árbitro: Sálvio Spínola Fagundes Filho (SP) Auxiliares: (SP) e (SP).
Público: 25.221 pagantes.

sábado, 22 de agosto de 2009

Ainda bem que quase ninguém lembra disso

Esse é um dos grande vexames que o Cruzeiro proporcionou na sua história recente. Eu não tinha nada que ficar lembrando, mas como resolvi falar de zebras, essa não podia ficar de fora.

Aconteceu no dia 17 de Agosto de 1997, no Mineirão. O Cruzeiro que recentemente havia conquistado a Taça Libertadores, estava com a cabeça no Mundial Interclubes e se esqueceu do Brasileirão, onde fez uma campanha ridícula. Conquistou apenas seis vitórias ficando à frente apenas de Bragantino, Guarani, Bahia, Criciúma, Fluminense e do lanterna, União São João de Araras. A propósito, esse lanterna foi o responsável pelo vexame de que trato neste post.
O fraquíssimo União São João de Araras só conseguiu vencer duas partidas na competição, sendo que uma delas foi justamente contra o Cruzeiro, campeão continental, dentro do Mineirão, numa noite em que nem o mais otimista de Araras apostaria numa vitória do União.
Àquela altura da competição o União só havia conquistado uma vitória e o Cruzeiro que fazia uma campanha ruim, ainda comemorando o recente título continental, via nesse jogo uma chance de recuperação na tabela. Essa recuperação era apoiada na empolgação da rodada anterior, quando o timr celeste havia goleado o Paraná por 4x0 no MIneirão. O time de Araras vinha se uma surra por 6x0 para o Vasco (leia-se Edmundo).

Quando o jogo começou na noite daquela quarta-feira os poucos corajosos que foram aos estádio viram um Cruzeiro apático, que não demonstrava vontade alguma de jogar, como se esperassem que a vitória chegasse a qualquer momento. O time de Araras visivelmente interessado em se defender, acabou por gostar do jogo e partir para o ataque. Numas dessas saidas esporádicas o time do União achou seu gol, com o meia Lisandro. Inoperante, o time do Cruzeiro não conseguiu reagir e mesmo com as substituições do técnico Nelsinho Batista o time não melhorou.
O apito final do árbitro deu fim a um jogo feio, onde a zebra de Araras, comandada por Geninho, se fez presente.
Aquele time, que foi campeão da Libertadores terminaria o campeonato a apenas 3 pontos da zona de rebaixamento, numa ridícula vigésima colocação. O time do União não venceu mais ninguém e terminou na lanterna.
As justificativas da péssima campanha eram que o time estaria focado no Mundial, título que não veio. Se não fosse a Libertadores o ano estaria perdido.
Esse jogo pífio felizmente passa longe da memória da maioria dos torcedores.

FOTO: www.dape.com.br/araras/images
www.cruzeiro.com.br (as duas fotos não são referentes ao dia da partida)

CRUZEIRO 0 x 1 UNIÃO SÃO JOÃO
Cruzeiro: Dida, Vítor(Marcos Teixeira), Gelson Baresi, Wilson Gottardo e Nonato; Fabinho, Donizete Oliveira (Donizete Amorim), Cleisson e Elivélton; Marcelo Ramos e Da Silva (Alex Mineiro). Técnico: Nelsinho Batista.
União São João: Adnam, Ivonaldo, Maxsandro, Augusto e Léo; Ricardo Lima (Valdo), Keler, Odair e Lisandro; Itamar (Márcio Neri) e Fabinho Fontes (Leonardo Oliveira). Técnico: Geninho
Gol: Lisandro.
Cartões amarelos:
Estádio: Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Data: 17/09/1997.
Árbitro: Jamir Cássios Garces
Auxiliares:
Público: 3.839 pagantes.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Uma trombada para a história



Nem só de zebras africanas vivem as Olímpiadas. Atlanta, em 1996, sediou a edição que comemorava os cem anos das Olímpiadas da era moderna e algumas das maiores zebras da história. E "trem ficou feio" logo de cara.
A franca favorita a disputar o ouro, a seleção brasileira, tinha um time dos sonhos. Campeã do Pré-Olímpico da Argentina invícta, chegou para o torneio reforçada, contanto com craques como Dida, Aldair, Roberto Carlos, Rivaldo, Bebeto e Ronaldo. Talvez apenas a Argentina pudesse fazer frente a essa equipe.
O espírito olímpico nunca esteve muito presente no torneio de futebol e passou longe da seleção do técnico Zagallo, que encarou a competição com banca de estrela, recheada de arrogancia.
A justificativa que muitos davam era o fato da seleção ter batido na trave duas vezes em 1984 e 1988 e ser eliminado vergonhosamente do Pré-Olímpico de 1992 após um empate com a Venezuela. Esses fatores fizeram da medalha de ouro uma obsessão.
Esse supertime er parte de um grande projeto olímpico, que se aproveitava das novas regras do COI, que permitiam que se chamasse três jogadores acima de 23 anos para os jogos.
Na estréia, o técnico Zagallo se mostrava extremamente confiante e ufanista, pois a fraca seleção japonesa não impunha medo a ninguém. Mas dava trabalho. Numa incrével retranca, o time japones segurou a pressão brasileira no primeiro tempo. Contra um time fraco e visivelmente preocupado com a defesa, o Brasil perdia muitas chances.
O goleiro Kawaguchi fazia inumeras defesas, enquanto a bola mal chegava ao gol de Dida. Entretanto quando foi...

Todos esperavam pelo gol brasileiro, que sairia mais cedo ou mais tarde, mas o que niguém imagina aconteceu. Eram quase trinta minutos do segundo tempo, com uma pressão incrível do Brasil quando numa saída de contra-ataque japones foi feito um lançamento torto e despretencioso, da intermediária para o meio da área, algo compretamente inofensivo. Aldair recuou para fazer o corte e Dida saiu do gol para cortar o cruzamento. Num lance medonho, que ultrapassou as barreiras do ridículo, Dida voou atabalhoadamente sobre Aldair. Os dois se chocaram bisonhamente e a bola sobou limpa para o japones Ito, que mal acradetou que só precisava empurrar a bola para o gol vazio. O Brasil estava perdendo para o Japão.
Pasmos os jogadores brasileiros entraram em pânico e partiram pro ataque. Perderam sucessivas chances em bolas que paravam nas mãos de Kawaguchi, rebatiam na zaga ou batiam na trave.
Quanto o árbitro mexicano apitou o fim da partida, os jogadores japoneses não cabiam em si de alegria, enquanto a vergonha tomou conta da seleção de Zagallo. Logo na estréia toda a banca de favorita da seleção canarinho caiu por terra. Não seria tão fácil vencer o torneio Olímpico como parecia. Mesmo assim a arrogancia de Zagallo continuava e a dificuldade de assumir que talvez o fato de ser o Brasil não fosse suficiente para vencer as partidas. Tradição e camisa não fazem tanta diferença nos Jogos Olímpicos.

Fotos: www.blogdoabdul.zip.net

BRASIL 0 x 1 JAPÃO
Brasil: Dida; Zé Maria, Ronaldo Guiaro, Aldair e Roberto Carlos; Amaral (Zé Elias), Flávio Conceição, Rivaldo e Juninho Paulista; Bebeto e Sávio (Ronaldo). Técnico: Zagallo
Camarões: Kawaguchi, Tanaka, Endo (Shirai), Matsuda, Suzuki, Michiki, Ito, Hattori, Maezono, Nakata (Uemura), Jo (Matsubara). Técnico: Akira Nishino
Gol: Ito, aos 27 do 2º tempo.
Estádio: Orange Bowl , em Miami (EUA)
Data: 21/07/1996.
Árbitro: Benito Archundia (MÉX) Auxiliares: Peter Kelly (TRI) e Mohamed Osman (SUD)
Público: 46724 pagantes

terça-feira, 4 de agosto de 2009

2004: O ANO DA ZEBRA NO HORÓSCOPO FUTEBOLÍSTICO - CRAC na cabeça!

Se você visitar o site do CRAC, time da cidade de Catalão,em Goiás, vai encontrar a descrição deste resultado como sendo fruto de determinação, planejamento e organização, num trabalho bem feito pela diretoria, comissão técnica e jogadores. Pode até ter sido isso mesmo, mas para mim não passou de mais uma zebra, que colaborou para que o ano de 2004 fosse “O ano da zebra no horóscopo futebolístico”.

O time do CRAC, Clube Recreativo Atlético Catalano, conquistou em 2004, seu segundo título do campeonato goiano, igualando seu feito de 1967. Muitos acreditavam que seria impossível, principalmente pela presença de duas fortes equipes, como eram o Goiás e o Vila Nova. Como agravante o time retornava a primeira divisão goiana naquela temporada.

A equipe da cidade de Catalão possuía jogadores de vários cantos do Brasil, que formaram um grupo homogêneo, que fez uma campanha boa na primeira fase, com 11 vitórias, 2 empates e 4 derrotas, o que o credencio para disputar a semifinal contra o Goiás. Vale lembrar que no ano anterior, o Goiás havia chegado as semifinais da Copa do Brasil, ganhado o estadual e realizado uma brilhante arrancada no Brasileirão, partindo da lanterna para o 9º lugar.
O Leão do Sul, como é conhecido o craque, não tomou conhecimento e encarou de igual para igual o time da capital. Na primeira partida, em Catalão, o CRAC venceu por 3x0, e na partida em Goiânia, o jogo terminou 2x0 para o Goiás. Como o saldo de gols não valia como desempate, a partida seria disputada nas penalidades. O arqueiro do CRAC, Helder fechou o gol e garantiu a vitória por 4x2.
Na decisão, o CRAC foi derrotado na primeira partida, no Serra Dourada, por 2x1, mas mesmo assim não se abateu. Apesar de tudo apontar para o título da Vila Nova, o que espantaria a zebra, o CRAC ainda se apega a força da sua torcida, uma vez que a decisão seria em Catalão.

O estádio estava lotado e a partida foi emocionante. Tendo a torcida como o 12° jogador, o CRAC esqueceu o favoritismo do Vila e venceu com superioridade absoluta, por 3x0. O Vila Nova ainda perdeu seu zagueiro Willians expulso, complicando mais na decisão. O time de Catalão dominou o jogo e com os gols de Sandro Oliveira, Celinho e Guarú, levou a partida para a disputa de pênaltis. Mais uma vez o time venceu, dessa vez por 5x4, garantindo o ressurgimento da equipe, que conquistava o título depois de 37 anos, no ano em que retornava da segundona estadual. Catalão ficou em festa.
Mais uma zebra ganhou forma, mas por merecimento, pois o CRAC foi reestruturado para ser uma zebra competitiva e surpreender os grandes da capital.

FOTOS: www.cracnet.com.br (atentem para a correção gramatical da faixa que os jogadores levam na foto do título)

CRAC 3 x 0 VILA NOVA
Penaltis: CRAC 5x4 VILA NOVA
CRAC: Helder, Baiano, Cristiano, Cleiton Mineiro e Marcinho (Cleiton Goiano); Pedrinho, Celinho, Cacá e Guarú; Sandro Oliveira e Sandro Goiano. Técnico: Wanderley Paiva.
Vila Nova: Kiko, Bosco, Willians, Higor (Jacques) e Michael; Fábio Bahia, Heleno, Evandro e Robson (Luciano); Wando e Mendes. Técnico: Evair.
Gols: Sandro Oliveira, aos 55 segundos do 1° tempo, Celinho, aos 7, e Guarú, aos 40 minutos do 2° tempo.
Cartões amarelos: Helder, Cacá, Cleiton e
Sandro Goiano (CRAC) e Bosco (Vila Nova)
Cartão vermelho: Willians (Vila Nova).
Estádio: Estádio Genervino da Fonseca, em Catalão(GO).
Data: 18/04/2004.
Árbitro: Cleiber Elias (GO) Auxiliares: Gesmar Miranda (GO) e José Bonfim (GO).
Público: 12.000 pagantes.

sábado, 1 de agosto de 2009

Kaburé?

A Copa do Brasil é, sem sombra de dúvida, o lugar certo para se procurar uma zebra (assim como todas as outras copas nacionais). A Copa do Brasil de 1994 foi recheada delas, mas vou me conter nesta. Pelo menos por enquanto.
Essa história poderia passar incógnita para muitos, mas não passou. Para os mineiros, devido ao vexame de um de seus mais tradicionais times e, para o resto do Brasil, por conhecer pela primeira vez uma classificação de um time tocantinense, a nível nacional.

Esse confronto ocorreu pela primeira fase da Copa do Brasil, do ano de 2004, reunindo o atual campeão mineiro, o América, e o campeão da Copa Tocantins (equivalente ao Estadual), o Kaburé.
O tradicional América, de Belo Horizonte, disputava a sua segunda Copa do Brasil. No ano anterior, entrou na competição como vice-campeão mineiro e saiu na primeira fase, eliminado pelo Vitória da Bahia. Naquela edição, entrava como campeão mineiro de 1993, com todo o favoritismo do mundo, contra o desconhecido Kaburé.
O Kaburé Esporte Clube é de Colinas, no Tocantins e foi fundado 1985, mas só se profissionalizou no inicio da década de 90. Aquela, além de ser sua primeira participação em torneios nacionais, era a primeira vez que o estado de Tocantins tinha um representante na Copa do Brasil.
A incógnita começou a se desfazer no dia 08 de março, na cidade de Colinas, onde foi realizado o jogo de ida. O estádio Bigodão estava lotado para assistir a primeira participação de um time do estado de Tocantins na Copa do Brasil. E acabou vendo mais do que esperava.
Num jogo atípico, onde o América encontrou muitas dificuldades para desenvolver seu futebol, o Kaburé fez valer o mando de campo e a força da torcida, surpreendendo a todos com uma vitória por 2x0, com gols de Fábio Canela e Pedrinho. Os jogadores ao sair de campo pareciam não acreditar no resultado, mas nenhum dos atletas do América duvidava de que no jogo de volta, no Independência, em BH, o time reverteria a situação.

No dia 17 daquele mesmo mês, o Independência foi palco de uma das maiores zebras da história da competição. O time do Kaburé, que a poucos anos ainda era amador e que vivia sua primeira experiência a nível nacional, conseguiu surpreendentemente segurar o ímpeto do time do América, perdendo por apenas 1x0. O gol solo de Hamilton não foi capaz de garantir a classificação da equipe do técnico Formiga, que foi eliminada precocemente da competição.
A zebra Kaburé se classificou para a segunda fase, onde foi eliminada sem dificuldades pelo Comercial/MS, que a derrotou nas duas partidas por 2x0. Essa, guardada as devidas proporções, foi a maior glória do time Tocantinense, que participaria por outras duas vezes da competição, sendo eliminado sem dificuldades pelo Flamengo, em 1995, e pela Portuguesa, em 1997.
Já ao América, restou uma zebra histórica e um vexame jamais esquecido por sua torcida.

KABURÉ-TO 2 x 0 AMÉRICA-MG
Kaburé: Sérgio; Estevam, Luís Carlos Marins, Lelei e Ronaldo Padeiro; Cleilson, Fábio Canela, Pedrinho (Dias) e Lino; Gilberto e Paulo Henrique (Iran). Técnico: Iduval Pontes.
América-MG: Milagres; Ronaldo Padeiro, Fagundes (Andrey), Lelei, e Luís Carlos Marins; Taú, Gutemberg e Flávio; Marcinho (Carlinhos), Hamilton e Róbson. Técnico: Chico Formiga.
Gols: Pedrinho e Fábio Canela.
Cartões amarelos: Gutemberg, Ronaldo Padeiro e Carlinhos (América-MG).
Cartão vermelho: Flávio (América-MG)
Estádio: Bigodão, em Colinas (TO)
Data: 08/03/1994.
Árbitro: Auxiliares:
Público:

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O milagre de Berna


Milagres não acontecem todos os dias no futebol. O dia 4 de Julho de 1954 foi uma exceção. Essa foi a data da decisão da Copa do Mundo daquele ano, que tinha tudo para coroar uma seleção mágica.
Aquele mundial teve uma série de particularidades. Foi a primeira transmitida pela televisão e foi realizada na Suíça pelo fato Fo país ter ficado neutro na II Guerra Mundial. Essa copa marcou também a estréia da uniforme amarelo da seleção brasileira e principalmente, a queda de uma seleção inesquecível.
A seleção húngara era fantástica. Possuía craques como Ferenc Puskás, Nándor Hidegkuti, József Zakariás, Sándor Kocsis, Zoltán Czibor, dentre outros. Chegou a final daquele mundial com uma invencibilidade de 32 partidas, quase 5 anos sem perder. Havia sido a primeira seleção não britânica a vencer a Inglaterra em Wembley, quando venceram por em 6X3, em 1953. Conquistou a medalha de ouro no torneio olímpico de Helsink, em 1952, vencendo suas cinco partidas (2x1 Romênia, 3x0 Itália, 7x1 Turquia, 6x0 Suécia e 2x0 Iuguslávia). Ganhou de todos e muitas vezes de goleada. O técnico húngaro Gusztav Sebes criou um sistema revolucionário, no qual os atacantes não tinham posição fixa, cuja base era o Honved, time do exército húngaro, onde brilhavam Ferenc Puskas e Sandor Kocsis.
Naquela Copa foi arrasadora. Na primeira faz goleou a Coréia do Sul por 9x 0 e a Alemanha Ocidental, 8 a 3. Nas quartas e semifinal eliminou os finalistas da última copa, respectivamente o Brasil e o Uruguai, ambos por 4x2; sendo que contra o Uruguai, a partida havia terminado 2x2 no tempo normal. Nada parecia barrar o título da máquina húngara. Curiosamente, em todos os seus jogos, os húngaros abriam dois gols de vantagem nos primeiros 15 minutos de partida, talvez por terem sido a primeira seleção a se aquecer antes das partidas.
Seu adversário na decisão, o selecionado da Alemanha Ocidental, chegou a final depois de vencer a Turquia (3x1), ser goleado pela Hungria (8x3), vencer o jogo desempate contra a Turquia (7x2) e vencer Iuguslávia (2x0) e Áustria (6x1). Na derrota por 8x3, na primeira fase, o técnico Sepp Herberger escalou seus reservas, para poupar titulares e estudar a equipe húngara, sem expor sua força máxima.
Na final, o Wankdorf Stadium, em Berna, recebeu 60.000 pessoas que se espremerem para acompanhar a partida final que coroaria a seleção da Hungria. Choveu muito no dia da partida e Adi Dassler, proprietário da Adidas e fornecedor de material esportivo para a seleção alemã, forneceu chuteiras com cravos intercambiáveis, que se adaptariam melhor ao campo molhado.

Ferenc Puskás jogou machucado, mas, mesmo sem estar no melhor da sua forma, abriu o placar aos 6 minutos de jogo. Logo depois, aos 8, Zoltán Czibor ampliou e deu a todos a certeza do título. Quer dizer, a todos menos os alemães, que logo aos 10 minutos diminuíram com Max Morlock. A partida estava eletrizante e Helmut Rahn empatou aos 19. Os primeiros 20 minutos da decisão foram espetaculares. No restante do primeito tempo, os alemães seguraram o ímpeto húngaro, levando o empate para os vestiários.

No segundo tempo a Hungria perdeu muitas chances e acabou sendo levada pelo nervosismo. Acostumada a resolver logo a partida acabou presa ao esquema dos alemães, que "cozinharam" o jogo. Tudo indicava que terminaria empatada a partida, mas a seis minutos do fim, Rahn, que chutou da meia-lua da área, após rebatida da zaga húngara virou a partida. Seria um milagre? O excrete húngaro, antes imbatível, estaria perdendo? Depois, que Puskás ainda teve um gol anulado no finalzinho, por estar impedido; a certeza do inacreditável se deu. A Hungria perdeu o título.
Esse resultado foi um baque para aquele time, que nunca mais foi o mesmo. Já a Alemanha Ocidental cresceu muito com aquele resultado. A imagem dos alemães recebendo a Taça Jules Rimet com a torcida cantando junto o hino nacional alemão, foi tão emblemática para o país no pós-guerra quanto seria a queda do Muro de Berlim. A partida é conhecida como o Milagre de Berna, tendo sido tema de um filme, em 2003, que redebeu o mesmo nome.
Para os húngaros, que tiveram uma média de 5,4 gols por jogo, marcando 27 gols em 5 jogos, aquela derrota foi o maior desastre do seu futebol.

Foto: esportes.terra.com.br
www.duplipensar.net
fifa.com

ALEMANHA OCIDENTAL 3 x 2 HUNGRIA
Alemanha Ocidental: Turek; Posipal e Kohlmeyer; Eckel, Liebrich e Mai; Rahn, Morlock, Ottmar Walter, Fritz Walter e Schafer. Técnico: Sepp Herberger.
Hungria: Grosics; Buzansky e Lantos; Bozsik, Lorant e Zakarias; Czibor, Kocsis, Hidegkuti, Puskas e Toth. Técnico: Gusztav Sebes.
Gols: Puskas, aos 6; Czibor, aos 8; Morlock, aos 10; e Rahn, aos 18 do 1º tempo; e Rahn, aos 39, do 2º tempo.
Estádio: Wankdorf Stadium, em Berna (SUI) Data: 04/07/1954.
Árbitro: William Ling (ING). Auxiliares: Vincenzo Orlandini (ITA) e Benjamin Mervyn Griffiths (GAL).
Público: 62.472 pagantes

Confiram os lances dessa decisão histórica:

segunda-feira, 27 de julho de 2009

2004: O ANO DA ZEBRA NO HORÓSCOPO FUTEBOLÍSTICO - Tricolor de canoa furada

Mais um caso de zebra no ano de 2004. Esse foi menos falado mas não menos importante. Para aqueles que estão acostumados a um Gre-nal todo o ano, na decisão do Gauchão, esse ano tivemos uma surpresa. E não foi nem o Juventude, nem o Caxias. Foi um estreante na primeira divisão.

O Campeonato Gaúcho de 2004 teve uma formula confusa e nem um pouco prática. Naquela temporada, foi dividido em dois módulos. O grupo 1, possuía os integrantes do campeonato brasileiro (Grêmio, Inter, Juventude e Caxias) e os quatro melhores clubes do interior do Gauchão 2003 (Santa Cruz, Glória, XV de Campo Bom e São Gabriel). Eles foram divididos em dois grupos de quatro classificando-se os dois melhores de cada chave, para as semifinais e finais. Os dois que chegassem à final desse módulo (que foram Inter e Grêmio) estariam diretamente na fase final.
Depois disso, foi formado um grupo 2, com as 14 equipes do interior que disputavam a 1ª divisão do Gauchão, incluindo as 4 que estavam no grupo 1. Dessa maneira, apenas as equipes que disputavam o Brasileirão ficaram de fora dessa fase, que durou de março a maio, com turno e returno. Os dois primeiros desse grupo 2, Ulbra e Glória, se classificaram para a fase final juntamente à Grêmio e Internacional.
Essa confusão toda foi feita para manter os times do interior em atividade o maior tempo possível.
Bom, chegamos finalmente ao que interessa. As semifinais do Gauchão 2004 foram realizadas apenas no mês de junho, com dois times do interior e dois da capital. O Inter quase embarcou numa zebra, ao empatar com o Glória, por 2x2, depois de um empate de 1x1 no tempo normal, seguido de outro 1x1 na prorrogação. O Gigante de Beira Rio sofreu muito naquela noite, mas viu o Colorado vencer por 4x1 na disputa e pênaltis. Já o rival, Grêmio, não teve a mesma sorte.
O Tricolor dos Pampas enfrentou a Ulbra, em Canoas, esperando confirmar sua classificação. O estádio da Universidade de Canoas recebia um público razoável para o horário de 20h30, sendo que boa parte dos torcedores era de estudantes.Era a primeira vez na história que as duas equipes se enfrentavam. O time da Ulbra foi fundado em 2001 e aquela era apenas sua primeira participação no Gauchão.
Para o Grêmio era uma questão de honra ir à final daquele Gauchão, pois nos dois anos isso não acontecia. O time de Adílson Batista entrou em campo determinado, mas foi surpreendido ao fim do primeiro tempo, com a derrota parcial por 1x0. O gol surgiu na cobrança de escanteio. A bola rebatida sobrou para o zagueiro Marcelo, que dominou, girou e chutou no canto esquerdo.

A partida tinha um nível técnico baixo, mas era muito disputada. Depois da surpresa, o Grêmio reagiu e dominou o jogo, sendo que só não empatou ainda no primeiro tempo porque o goleiro Rafael fez grande defesa, na chance de Tiago Prado; e Christian perdeu um gol por driblar em excesso.
O Grêmio dominava o meio de campo e a Ulbra apostava nos seus alas. Num dessas saídas.
O Grêmio voltou mudado para o segundo tempo. Pressionou e conseguiu um pênalti logo no início. Luciano Ratinho bateu mal, o goleiro chegou na bola, mas ela entrou.
A Ulbra foi para cima e o meia Cléber chamou para si a responsabilidade. Exigiu grande defesa de Tavarelli, chutou uma bola na trave e, aos 26, marcou o segundo gol, num frango de Tavarelli, que aceitou um chute. Logo ele que foi o motivo de uma grande luta gremista para liberá-lo da seleção paraguaia.

Baloy foi expulso e, com um a menos, o grêmio sofreu o terceiro, com Fabrício e se não fossem a chances perdidas pela Ulbra, teria sido goleado.
Era mais uma zebra. A Ulbra chegou pela primeira fez na sua história a decisão do Gauchão. Perderia em casa para o Inter por 2x1, mas deixou claro que a cidade universitária de Canoas não possuía apenas times de vôlei e futsal.

ULBRA 3 x 1 GRÊMIO
Ulbra: Rafael; Renato Tilão, Marcelo e Sidnei; Barão, Bagnara, Lauro, Cléber e Evaldo(Sandro); Sinval e Fabrício Técnico: Armando Desessards.
Grêmio: Tavarelli; Michel, Baloy, Tiago Prado e Michel Bastos(Marcelo Magalhães); Cocito, Leanderson, Bruno e Leonardo Inácio (Luciano Ratinho); Claudio Pitbull e Christian (Rico) Técnico: Adílson Batista.
Gol: Marcelo, aos 18 do 1º tempo. Luciano Ratinho (pênalti), aos 7; Cléber, aos 26, e Fabrício, aos 38 do 2º tempo.
Cartões amarelos: Evaldo e Sinval (Ulbra); Cocito (Grêmio).
Cartão vermelho: Baloy (Grêmio).
Estádio: Complexo Esportivo Ulbra, em Canoas (RS)
Data: 02/06/2004.
Árbitro: Fabrício Corrêa (RS) Auxiliares: Paulo Ricardo Conceição (RS) e Vili Tissot (RS).
Público: